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Epílogo: "Me dormiré!"
As aventuras pós-Yerma do XIV Festival Amazonas de Ópera vão terminando e, com elas, começando os alívios de uns e tristeza de outros.
Ja dá pra sentir saudades de tantas coisas! Desde as brincadeiras ("Nunca? niN quando has bayladoo?" ou "No. Dios!") até os grandes momentos, uau... muita coisa aconteceu.
Por onde começar? Nossa, criar este texto é complicado.
Vamos por ordem. Depois de Yerma tivemos a movimentação para Romeu et Juliette, de Charles Gounod.
Em uma grandiosa revelação dos potenciais da Orquestra Experimental da Amazonas Filarmônica (formada por jovens alunos dos músicos da Amazonas Filarmonica e seus monitores), o espetáculo foi um dos mais apreciados do festival.
A direção cênica foi assinada pelo querido William Pereira, em uma inusitada e articulada visão do atemporal romance Shakespeareano.
Com Carmen Monarcha e Cesar Gutierrez nos papeis titulares, a ópera invocou todo aquele clima de grandiosidade e ao mesmo tempo intimidade necessários para a caracterização da tragédia.
Em diversos momentos divertidos e de extremo lirismo, era difícil não se emocionar com o que acontecia.
Em um emocionante gesto, o maestro Luiz Malheiro trouxe os jovens da orquestra para os agradecimentos finais. Um grandioso elenco para um grandioso espetáculo.
Ao termino desta ópera, chegou o momento da partida de vários colegas que também estavam na Yerma e com quem criamos laços. Foi o "Até Logo" para a querida Keila de Moraes, Homero Velho, Douglas Hahn e outros...
Começavam os preparativos para a grande ópera do festival, Lo Schiavo, de Carlos Gomes, mas...
...Em meio a isto, entrava em cena mais uma vez o maestro Marcelo de Jesus, com sua pequena produção local de La Cenerentola, de Rossini.
A divertida (no mínimo!!) produção de Francisco Mendez (e companhia) contou com a atuação da Orquestra de Câmara do Amazonas e um elenco local que teve a missão de levar a ópera para a população das periferias manauaras, culminando com a longa (mesmo!) viagem ao município de Novo Airão.Este Festival me foi especial neste sentido - Sou de criação urbana, e raramente saio da cidade e visito interiores; ter a possibilidade de visitar esta pacata e isolada cidadezinha foi super interessante, e mais ainda, enfim poder conhecer um dos grandes cartões da amazônia - o Boto cor-de-rosa!!
Emoção sem fim (risos).
Para as duas últimas récitas da Cinderela, tivemos a presença do grandioso Pepes do Valle. E eu, mais ainda, uma longa viagem com ele ao lado, rs!!
Com mais esta missão cumprida, voltamos para Manaus em plena madrugada. Foi quando tive um grande papo com o dedicado iluminador de todo o festival, Moisés Vasconcellos. Inspirados pelo vento, pelo verde e a distante iluminação da cidade, nos divertimos ao lembrar de tudo que estava passando, e como essa pequena viagem nos fez bem.
De volta ao Teatro Amazonas, entra em labuta o maestro Miguel Campos Neto, a grande diva Edna D´Oliveira e o Corpo de Dança do Amazonas na produção daquele que foi, provavelmente, o mais aclamado e lindo espetáculo do festival, A Floresta do Amazonas (balé com poema sinfônico do grande Villa Lobos) e que teve sua última récita ontem. Emocionante no mínimo. Será difícil esquecer o momento em que Edna cantou a Melodia Sentimental dentro da lua, da coreografia maravilhosa assinada por Bruno Cesario e do lindo figurino de Pedro Moreno.
Com direção cênica de Jaime Martorell, o espetáculo brilhou em três dias de casa lotada, emocionando todos com o apoteótico final ("O Fogo na Floresta"), em que morrem índios e animais, e a voz da selva canta seu último lamento, cruzando a quarta parede e brilhando direto da platéia. Hipnotizados pela beleza do balé, de repente podemos notar que estamos, de fato, no meio da Floresta do Amazonas!
Mais espetáculo chega ao fim. No Teatro Amazonas, as coisas terminam hoje com a segunda récita de Lo Schiavo. Em uma grandiosa montagem (mesmo!) também assinada por Jaime Martorell, Silviane Bellato, Rodolfo Giugliani, Richard Bauer, Rosendo Flores, Manuela Freua, Randal Oliveira, Eraldo Auzier, Humberto Viera, Vinícius Atique, Cristiano Silva e Coro e Orquestra do Amazonas dão vida para Carlos Gomes mais uma vez ao Teatro Amazonas (para quem não sabe, este teatro foi criado quase que especialmente para apresentação de suas óperas).Momentos de puro lirismo estão nesta montagem. Há um cenário imponente e lindas melodias, todas bem trabalhadas pelo maestro Luiz Fernando Malheiro.
É triste começar a me despedir dos amigos e admirados que fiz neste período. Rafaelzinho, Gabriel, titio André dos Santos, Moisés, tia Carmen, professor Bauer e tantos outros! Não há palavras para descrever a saudade que vai ficar, só de lembrar dos tantos momentos queridos.
O encerramento do Festival de Ópera, que se dá com O Escravo em uma montagem no Largo de São Sebastião, promete ser magnanimo - dia 30 de maio estaremos lá, fechando mais um ano de produção da fina arte. Me orgulho em estar neste meio! agora, se me permitem, hora do meu cinema...
nota: todas as fotos são de autoria de Marcelo de Jesus, Randal Oliveira e Keila de Moraes.






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